Já muito depois da hora, a quebrar completamente a regra, a ficar (muito!) sozinha na Enfermaria. O desejo de dizer até amanhã aos 'meus' doentes.
- Oh doutora, apareceu-se-me um anjo, tire-me isto, por favor - e as lágrimas a correrem pela cara, a primeira vez que as vejo naquela pele.
Era o soro, o abocath espetado na mão esquerda, à má fila. Os meus neurónios: "Será que precisa da via endovenosa? A hiponatrémia é antiga, demasiado bem tolerada. Estamos a ser mais papistas do que o papa?... Vai embora amanhã. Assinámos o destino hoje de manhã: Oncologia. Igual ao do colega do lado. E de outros tantos."
- Vou falar com o chefe, se puder tiro.
(...)
- Pronto. Vamos tirar tudo, já disse à Enfermeira.
Para a semana, posso ter dois doentes mais levezinhos, por favor?
Assim uma pneumoniazeca fácil... um AIT, qualquer coisa...