Um casal na consulta. Velhotes, nos «setentas».
- É um tumor da pele, vamos mesmo ter de operar - diz o médico.
- E tem mesmo de ser doutor?
- Tem mesmo de ser.
E o marido, num canto, calado. Com ar de quem não ouve patavina por causa daquela coisa inevitável que começa em «i» e termina em «dade». Completamente alheado.
- É uma coisa má mas se tirarmos tudo não tem com que se preocupar.
- Fazemos o que entender.
E aquela expressão resignada na cara da doente. Nunca sei se percebem ou se simplesmente acreditam no médico e não se preocupam. E o silêncio do marido. Depois, os acertos e as marcações e a despedida.
E o marido que rompe o silêncio:
- E tem mesmo a certeza que não temos de ficar preocupados?
Olha esta. Afinal ouviu.
Sou capaz de jurar que ele tinha uma lágrima no canto do olho...