O Sr. V. deambula pelo corredor e cumprimenta-me com um sonoro "Bom dia doutora!". Traz o roupão inconfundível, ao qual o Muhammad Ali teria chamado 'um figo'. Gosto deste doente sem ar doente.
Junto à cama, a conversa é diferente.
- Então vamos operá-lo na próxima semana - diz o médico mais velho.
- O que tem de ser, tem de ser - a voz parece mais inconsciente do que corajosa.
- já sabe que tem aí uma coisa má.
- Um tumor?
- Sim, um tumor. Mas vamos tirá-lo.
(e eu no meu canto a pensar "vamos tratar de si.")
E depois, entro à carga.
- Então... vamos à nossa rotina do costume. Posso auscultá-lo?
- Sim, sim, Dr.ª.
- Ficou com alguma dúvida Sr. V.? (as rugas pareceram-me subitamente mais profundas)
- Não... mas é a Dr.ª que me vai operar? (e os olhos brilharam)
E isso bastou para me deixar feliz...
20 anos que ficam
Há 10 meses
3 comentários:
:) É bom que confiem em nós.
M de Mesmo "Moa" Médica!
…bonita historia…, queremos mais.
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