Cheguei tarde ao anfiteatro hoje de manhã. A porta já estava fechada e acabei por entrar pela do lado. Aquela porta estreita, que escondia o senhor de cabelo grisalho, bata branca e sobretudo azul.
As caras conhecidas. A do velhote, que encontrei na sala de alunos e não escondido atrás da porta, a dos professores que subitamente parecem velhos e pequeninos, a dos colegas mais velhos que agora são (quase) assistentes eventuais. A da P., secretária de uma das nossas Cadeiras, que ainda se lembrava do meu nome. Do MEU nome.
A vontade de parar na janela e procurar a tua casa. De mandar os alunos todos embora e ficar com a biblioteca só para mim e para os meus dossiers amarelos. Ou de te ter à minha espera no carro, fora do portão.
Às vezes acho que a nostalgia me faz mal. Outros dias, como o de hoje, preenche-me. E me lembra que os melhores anos da nossa vida são também, porque são intensos, os piores.
* Diz o néon grande e novo. Digo eu que é como a nossa casa. Dizemos mal, criticamos, mas sabe sempre bem voltar.
20 anos que ficam
Há 10 meses
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