Uma doente sem ar doente (daquelas que eu gosto) entra no gabinete. Algo envergonhada, e seguramente receosa de um possível sermão, explica-nos que ao retirar o cotonete após uma limpeza copiosa do ouvido direito, notou que a ponta de algodão tinha ficado no canal auditivo.
- Ah! Vamos lá ver isso - diz o dr. (pouco) mais velho.
Já sob a luz visualizo perfeitamente a cabeça do dito no fundo do canal.
- Acho que com uma pinça consigo lá chegar... - digo eu. A alternativa seria enviar a senhora a um hospital com urgência de otorrinolaringologia, o que era mau para nós as duas (médica e doente).
O médico mais velho a ajudar na tracção do pavilhão auricular [orelha]. Introduzo a pinça. Abro a pinça e procuro no escuro o algodão, tentando prendê-lo. A doente salta na cadeira, dando-me apenas tempo pra remover rapidamente a pinça num movimento só. Et voilà, sucesso terapêutico na ponta da pinça. Alívio! (das duas, claro!)
Mas nem tudo é assim tão simples. Infelizmente.
20 anos que ficam
Há 10 meses
1 comentário:
Mais um vida salva.
Tens que começar a fazer o registo... há dias em que o contador das vidas ajuda a sorrir. :)
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